| Póvoa de Varzim |
| A Cidade – Póvoa de Varzim é o nome da nossa cidade. Explicá-lo representa uma aliciante viagem às suas origens históricas ou mesmo pré-históricas pelo que sou tentado, ao iniciá-la, a recorrer à fórmula genesíaca: - No princípio... era a terra de VARAZIM, ignoto Senhor que a possuiu em tempo não menos ignoto mas com certeza posterior à romanização e lhe deu o nome. Alguns achados arqueológicos, muito expressivos em Martim Vaz (hoje, zona desportiva) e menos na Junqueira e Vila Velha, informam-nos da presença e da acção do homem na antiguidade. Porém, o documento identificador do nosso território - Villa Eurazini - tem a data de 953 e pertence ao cartulário da Colegiada de Guimarães designado por Livro de Mumadona. A terra e, sobretudo, o mar que a beija sussurrante e, depois, se deixa amimar em profundo amplexo, despertaram na Idade Média o interesse económico de fidalgos, cavaleiros e eclesiásticos, ávidos de rendas, entre os quais se destaca a estirpe de D. Lourenço Fernandes da Cunha, sem dúvida, os mais produtivos colonizadores do nosso território. Os seus casais situavam-se na parte norte, em uma área denominada já no séc. XIV por Vila Velha. Alguns desses casais pertenceram à Ordem Militar do Hospital e usufruíam o privilégio de "Honra" andando a terra registada nas inquirições com o nome de Varazim dos Cavaleiros e, mais tarde, VARAZIM DE SUSÃO. Outra parte de VARAZIM, mais para o sul, era terra reguenga e os casais pagavam para o Rei tanto dos frutos da terra como do mar, pois havia no seu porto um interessante movimento de pesca. Foi, precisamente, a cobrança do imposto do pescado, dito navão ou nabão, disputado pelos mordomos régios e senhorios de Varazim de Susão, que originou a intervenção do Rei a fim de acabar com a instabilidade no território, recuperar a renda da pesca e arrotear as terras de reguengo. Assim, em 1308, depois de arrolados os 54 casais de VARAZIM, mandou El-rei D. Dinis passar carta de Foral doando- lhes o reguengo de Varazim de Jusão com o encargo de aí fundarem uma PÓVOA, associarem-se em CONSELHO DE VIZINHOS com seu juiz eleito e, darem-lhe, anualmente, um foro colectivo de 250 libras e os direitos de aportagem. Eis a origem da nossa terra e do nome que ostenta. A Póvoa de Varzim arranca para o desafio dos tempos voltada para a sua angra marítima que lhe garante a subsistência e havia de ser o primeiro motor do seu desenvolvimento e prosperidade. Desafio dos tempos... disse... para recordar os principais lances do evoluir histórico do nosso burgo. Em 1312, o rei D. Dinis doou a Póvoa de Varzim ao filho bastardo Afonso Sanches de Albuquerque e este, por sua parte, meteu-a no património do mosteiro de Santa Clara (1318) que acabara de fundar em Vila do Conde. O domínio do senhorio eclesiástico através da Abadessa e dos seus ministros, chegou a ser total e durou o melhor de duzentos anos. Ainda ele decorria quando D. Manuel mandou dar foral novo à Vila (1514) reformando o antigo na parte fiscal e provendo-o de mecanismos alternativos à jurisdição do mosteiro. Suspeita-se que estes foram accionados a partir de 1537, data em que as jurisdições do mosteiro são postas em arrematação e a dependência das justiças locais passaria para o desembargo do Paço e o seu corregedor na comarca do Porto. A pequena Vila da Póvoa, que não contaria mais de quinhentos habitantes, sente o ar benéfico que percorre o litoral do país, envolvido no vultoso tráfico das descobertas e conquistas, e assume a feição de burgo na sua Casa do Concelho, Praça Pública e Pelourinho onde os Homens Bons da terra e do mar jamais se aquietarão em projectos destemidos. Um deles consistiu na emancipação religiosa da paróquia de Argivai criando-se a Vigararia de Santa Maria de Varzim com sede na ermida da Mata que foi preciso ampliar e preparar para o efeito. Aí pregou e administrou o crisma, em 1560, o santo Arcebispo Frei Bartolomeu dos Mártires. De resto, o séc. XVI deu à terra aquela estrutura administrativa, social e religiosa que permitiu venceu algumas crises difíceis que o século seguinte lhe reservaria. Refiro-me, em particular, às onerosas questões territoriais com a Câmara de Barcelos. Por outras vicissitudes passou a terra como por exemplo a evasão quase total dos homens válidos: uns emigrados; outros absorvidos na marinhagem e outros na construção naval. Curiosamente nunca deixou de crescer, compensada quer pela fertilidade das suas mulheres como pela contínua entrada de braços A gastronomia do concelho da Póvoa de Varzim tem duas facetas bem distintas. De um lado as ricas influências minhotas onde os pratos de carne predominam e, no outro, a originalidade da classe piscatória poveira em que, naturalmente, o peixe é o elemento principal. As tradições gastronómicas poveiras estão ligadas a um comunidade de forte identidade cultural mas profundamente marcada pela precariedade de meios. As alterações sócio-económicas do século XX permitiram a libertação do limiar da pobreza e da indigência, constante ameaça para o pescador das classes mais modestas. Parco em recursos, a sua alimentação restringia-se aos produtos agrícolas da região e aos que ele próprio granjeava no mar, mas destes só os mais "pobres" (sardinha, raia, cação, cavala, cascarra, peixe bandalho, etc) frequentavam a sua mesa, os peixes "finos" (pescada, badejo, robalo, melo, polvo, etc) eram para venda, não iam à boca do pescador. Do esforço criativo para ultrapassar estas limitações resultou a riqueza de sabor da cozinha poveira que tem como pratos de referência a “Pescada à Poveira”, o “Arroz de Sardinha”, a “Caldeirada de Peixe” e doce simples mas deliciosos como a Rabanada e a Aletria. |
| ONDE FICAR |
| Turismo Rural - Costa Verde |
